Desenvolvimento do bebê de 6 a 8 meses: o que esperar e o que observar?
- Isabela Gomes Aquino
- há 10 horas
- 8 min de leitura
Entre 6 e 8 meses, o bebê começa a conquistar cada vez mais autonomia para se movimentar e explorar o ambiente. O controle da cabeça e do tronco está mais desenvolvido, os movimentos ficam mais intencionais e o bebê começa a experimentar diferentes formas de mudar de posição, transferir peso e se deslocar.
É uma fase em que os pais começam a perceber muitas novidades: o bebê senta, rola, alcança brinquedos, muda de posição, começa a se deslocar pelo chão e pode iniciar diferentes formas de locomoção.
Mas afinal, o que um bebê de 6 meses deve fazer? E um bebê de 7 ou 8 meses? Quando o bebê deve sentar? Quando começa a engatinhar? O que fazer se ele só se movimenta para um lado?
Mais importante do que procurar uma lista rígida de marcos é observar como o bebê está construindo essas habilidades e se seu repertório motor está evoluindo.
O que esperar do desenvolvimento do bebê de 6 a 8 meses?
Entre 6 e 8 meses, o bebê começa a utilizar o movimento cada vez mais como uma ferramenta para explorar o ambiente.
Ele percebe um brinquedo.
Demonstra interesse.
Tenta alcançar.
Transfere o peso.
Gira o corpo.
Muda de posição.
E começa a descobrir diferentes maneiras de chegar até aquilo que deseja.
Nessa fase, podemos observar:
maior controle de cabeça e tronco;
capacidade de permanecer sentado com mais estabilidade;
alcance de objetos em diferentes direções;
transferência de peso;
maior controle dos apoios;
movimentos de rotação do tronco;
mudanças de posição;
rolamentos mais organizados;
tentativas de deslocamento;
maior interesse em explorar o ambiente.
Cada bebê apresenta seu próprio ritmo. Por isso, mais importante do que comparar crianças da mesma idade é observar a evolução individual do bebê.
Desenvolvimento do bebê de 6 meses
Aos 6 meses, muitos bebês apresentam maior controle do tronco e conseguem permanecer sentados com diferentes níveis de estabilidade.
Também começam a utilizar o corpo de maneira mais ativa para alcançar objetos.
Durante o tummy time, o bebê pode sustentar melhor o peso nos braços, elevar o tronco, movimentar a cabeça e começar a transferir o peso de um lado para o outro.
Essa transferência de peso é especialmente importante porque prepara o corpo para movimentos cada vez mais complexos.
O bebê começa a descobrir:
“Se eu mudar meu apoio, consigo chegar até aquele brinquedo.”
Essa relação entre curiosidade e movimento é uma parte importante do desenvolvimento motor.
Desenvolvimento do bebê de 7 meses
Por volta dos 7 meses, o repertório motor pode ficar cada vez mais variado.
O bebê pode rolar com maior facilidade, permanecer sentado, alcançar objetos em diferentes direções e começar a experimentar maneiras de mudar de posição.
Alguns bebês começam a se deslocar pelo chão.
Outros ainda estão principalmente explorando as transferências de peso e as mudanças de posição.
O importante é observar se o bebê está ampliando suas possibilidades de movimento.
Ele consegue explorar diferentes direções?
Consegue mudar de posição?
Utiliza os dois lados do corpo?
Demonstra interesse em chegar até os objetos?
Essas informações são muito mais importantes do que uma única habilidade isolada.
Desenvolvimento do bebê de 8 meses
Aos 8 meses, muitos bebês já apresentam um repertório motor mais amplo.
Podem mudar de posição com maior facilidade, alcançar objetos mais distantes e começar a utilizar diferentes estratégias para se deslocar.
Alguns podem engatinhar ou rastejar.
Outros podem utilizar outras formas de locomoção.
Não existe uma única estratégia obrigatória.
O que importa é que o bebê esteja desenvolvendo a capacidade de utilizar o próprio corpo para explorar o ambiente.
Quando o bebê começa a sentar?
Essa é uma das perguntas mais comuns dos pais nessa fase.
Mas “sentar” não deve ser entendido apenas como conseguir permanecer parado na posição sentada.
Eu também quero observar:
Como o bebê chega ao sentado?
Consegue sair do sentado?
Consegue alcançar objetos enquanto está sentado?
Consegue girar o tronco?
Consegue transferir o peso?
A capacidade de entrar e sair das posições é uma parte importante da autonomia motora.
Por isso, o processo de construção da habilidade é tão importante quanto a habilidade final.
Quando o bebê começa a engatinhar?
O engatinhar costuma gerar muitas expectativas.
Mas não existe uma única idade em que todos os bebês precisam começar a engatinhar.
Antes do deslocamento, o bebê precisa experimentar diferentes apoios, transferências de peso, rotações e mudanças de posição.
Essas experiências ajudam a construir o repertório necessário para que ele encontre formas próprias de se deslocar.
Alguns bebês engatinham.
Outros rastejam ou utilizam diferentes estratégias.
Por isso, mais importante do que perguntar:
“Meu bebê já engatinha?”
é perguntar:
“Meu bebê está tentando descobrir como se deslocar?”
O chão é importante para o desenvolvimento do bebê
Entre 6 e 8 meses, o chão se torna um verdadeiro espaço de aprendizagem.
É ali que o bebê pode experimentar:
rolar;
alcançar;
girar;
apoiar;
transferir peso;
mudar de posição;
deslocar-se;
explorar diferentes estratégias.
Por isso, é importante que o bebê tenha momentos durante o dia em que possa se movimentar livremente, sempre em um ambiente seguro e adequado.
Mais do que pensar apenas em “exercícios”, precisamos pensar em oportunidades de movimento.
Como estimular o bebê de 6 a 8 meses?
Nessa fase, uma das melhores formas de favorecer o desenvolvimento é criar situações que despertem a curiosidade.
Você pode colocar um brinquedo um pouco fora do alcance.
Posicionar um objeto levemente para o lado.
Criar oportunidades para que o bebê precise transferir o peso.
Variar a posição dos brinquedos.
Permitir que ele explore o chão.
E, principalmente, dar tempo para que ele tente.
Não é necessário colocar o bebê diretamente na posição que queremos que ele alcance.
O objetivo é criar uma situação em que ele tenha um motivo para se movimentar.
O movimento autogerado é importante para a construção do repertório motor.
Transferência de peso: por que é tão importante?
A transferência de peso é uma das experiências fundamentais dessa fase.
Imagine um bebê sentado tentando alcançar um brinquedo ao lado.
Para conseguir chegar até ele, precisa deslocar o peso do corpo, organizar o tronco e encontrar um novo apoio.
Ou imagine um bebê de barriga para baixo tentando alcançar um objeto.
Ele precisa apoiar parte do corpo, liberar outra e ajustar sua postura para conseguir alcançar.
Essas pequenas experiências participam da construção do equilíbrio, das mudanças de posição e das futuras formas de deslocamento.
Por isso, durante uma avaliação, observar como o bebê distribui o peso entre os dois lados é muito importante.
Bebê de 6 a 8 meses se movimenta só para um lado
Nessa fase, algumas assimetrias podem ficar mais evidentes porque os movimentos estão mais complexos.
Observe se o bebê:
rola sempre para o mesmo lado;
alcança sempre com o mesmo braço;
transfere o peso sempre para o mesmo lado;
senta sempre de uma mesma maneira;
evita apoiar um dos lados;
utiliza um lado do corpo muito mais do que o outro.
Uma preferência ocasional pode acontecer.
Mas uma assimetria persistente merece ser investigada.
Pode existir alguma limitação de mobilidade, diferença de força, tensão ou dificuldade na organização do movimento.
Quais são os sinais de alerta aos 6–8 meses?
Um bebê pode adquirir determinadas habilidades um pouco antes ou depois de outro.
Por isso, não devemos avaliar o desenvolvimento com base em uma única habilidade.
Ainda assim, alguns sinais merecem atenção:
pouca movimentação espontânea;
pouco interesse em explorar o ambiente;
dificuldade para mudar de posição;
dificuldade importante para transferir peso;
assimetria persistente;
uso muito predominante de um lado do corpo;
dificuldade para alcançar objetos;
repertório motor muito limitado;
pouca evolução ao longo das semanas.
Esses sinais não significam automaticamente que exista um atraso.
Eles indicam que vale a pena compreender melhor o que está acontecendo.
O que eu observo em uma avaliação de um bebê de 6 a 8 meses?
Quando acompanho um bebê nessa fase, não observo apenas quais habilidades ele já adquiriu.
Quero entender como ele está construindo as próximas habilidades.
Observo:
postura;
movimentação espontânea;
simetria;
controle de cabeça e tronco;
mobilidade;
força;
apoios;
transferência de peso;
alcance;
rotação;
rolamento;
mudanças de posição;
transições;
estratégias de deslocamento.
Também observo como o bebê reage quando encontra um desafio.
Ele tenta?
Muda de estratégia?
Usa o outro lado?
Desiste rapidamente?
Precisa de ajuda?
Essas respostas fazem parte da avaliação do desenvolvimento motor.
O que pode estar dificultando o desenvolvimento motor?
Quando um bebê apresenta dificuldade para realizar determinado movimento, não quero simplesmente concluir que ele “ainda não está pronto”.
É importante investigar o motivo.
Pode existir uma limitação de mobilidade, uma diferença de força, assimetria, tensão muscular ou dificuldade na organização do movimento.
Também é importante observar o ambiente.
Quanto tempo esse bebê passa no chão?
Quanto tempo permanece em dispositivos?
Tem oportunidades para alcançar objetos?
Pode explorar diferentes posições?
Os pais têm segurança para permitir que ele tente?
O desenvolvimento acontece na combinação entre a maturação do bebê e as oportunidades que ele recebe.
Como a osteopatia pediátrica pode ajudar?
A osteopatia pediátrica pode fazer parte de um acompanhamento individualizado do bebê, especialmente quando existe alguma alteração musculoesquelética ou funcional que possa estar influenciando o movimento.
Durante a avaliação, observo aspectos como:
alinhamento corporal;
mobilidade;
biomecânica;
força;
simetria;
qualidade dos apoios;
organização do movimento;
integridade musculoesquelética.
A partir dessa avaliação, procuro compreender se existe algum fator físico que esteja dificultando determinada experiência motora.
Quando identifico uma dificuldade, o objetivo não é simplesmente “ensinar” o bebê a sentar ou engatinhar.
É trabalhar o que está limitando o movimento e orientar a família sobre como oferecer oportunidades adequadas na rotina.
O acompanhamento não acontece apenas no consultório
Uma parte importante do meu trabalho é orientar os pais.
A forma como o bebê é carregado, posicionado e colocado para brincar pode modificar as oportunidades que ele tem para experimentar o movimento.
Por isso, posso orientar a família sobre:
posicionamento;
brincadeiras;
oportunidades no chão;
estímulos visuais e sonoros;
formas de favorecer a simetria;
exercícios e estratégias para casa;
adaptação do ambiente.
O objetivo é fazer com que o que trabalhamos durante o acompanhamento possa fazer parte da rotina da família.
Quando procurar uma avaliação para um bebê de 6 a 8 meses?
Uma avaliação pode ser indicada quando os pais percebem:
pouca movimentação;
pouca iniciativa para explorar;
assimetria persistente;
dificuldade para mudar de posição;
dificuldade para transferir peso;
uso predominante de um lado;
dificuldade para alcançar objetos;
pouca evolução do repertório motor;
alguma característica do desenvolvimento que esteja gerando preocupação.
Não é necessário esperar o bebê completar determinada idade ou apresentar um atraso evidente.
Uma avaliação também pode trazer segurança para a família e ajudar a entender quais oportunidades são mais adequadas para aquele bebê.
Desenvolvimento do bebê de 6 a 8 meses: observar o processo
Dos 6 aos 8 meses, o bebê começa a transformar o movimento em uma ferramenta de exploração.
Ele quer chegar até um objeto.
Quer mudar de posição.
Quer descobrir o que existe ao seu redor.
E, para isso, começa a combinar diferentes habilidades que construiu nas fases anteriores.
Por isso, não olhe apenas para:
“Ele já senta?”
ou
“Ele já engatinha?”
Observe:
Ele consegue se movimentar para explorar?
Consegue mudar de posição?
Transfere o peso?
Usa os dois lados do corpo?
Está ampliando seu repertório?
Está evoluindo?
Essas perguntas ajudam a compreender muito melhor o desenvolvimento do bebê.
Precisa de ajuda para entender o desenvolvimento do seu bebê?
Se você percebe alguma assimetria, dificuldade de movimento ou deseja acompanhar de perto o desenvolvimento do seu bebê, uma avaliação individualizada em osteopatia pediátrica pode ajudar a compreender como ele está se desenvolvendo e quais estratégias podem ser incorporadas à rotina da família.
Dra. Isabela Aquino — Fisioterapeuta Osteopata | Osteopatia Pediátrica e Saúde Materno-Infantil | Florianópolis – SC


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