Desenvolvimento do bebê de 10 a 12 meses: o que esperar e o que observar?
- Isabela Gomes Aquino
- há 1 minuto
- 7 min de leitura
Entre 10 e 12 meses, o bebê está conquistando cada vez mais autonomia para se movimentar e explorar o ambiente. As habilidades desenvolvidas nos meses anteriores começam a se integrar e permitem que ele realize transições mais complexas, utilize diferentes apoios, fique em pé e experimente novas formas de deslocamento.
É também uma fase em que surge uma das maiores dúvidas dos pais:
“Meu bebê já deveria estar andando?”
Mas, antes de observar apenas a marcha, é importante compreender todo o caminho que o bebê está construindo para chegar até ela.
O que esperar do desenvolvimento do bebê de 10 a 12 meses?
Nessa fase, o bebê pode apresentar:
maior autonomia para se deslocar;
mudanças de posição mais independentes;
transições entre diferentes posturas;
maior controle de tronco;
transferência de peso entre os lados;
capacidade de sustentar o peso nas pernas;
interesse crescente pela posição em pé;
apoio em móveis;
deslocamento lateral com apoio;
agachamento e retorno à posição em pé;
exploração cada vez maior do ambiente.
O desenvolvimento continua acontecendo de maneira individual.
Por isso, mais importante do que comparar a criança com outras da mesma idade é observar a evolução do repertório motor e a qualidade das estratégias utilizadas.
Desenvolvimento do bebê de 10 meses
Aos 10 meses, muitos bebês já apresentam grande interesse em explorar o ambiente.
Podem mudar de posição com facilidade, deslocar-se pelo chão e começar a utilizar móveis e outros apoios para experimentar a posição vertical.
É possível observar o bebê:
sentando e levantando;
passando por diferentes posições;
ajoelhando;
apoiando-se nos móveis;
puxando o corpo para ficar em pé;
tentando deslocar-se com apoio.
Mais importante do que observar se ele já consegue ficar em pé é perceber se ele está conquistando essas posições através do próprio movimento.
Desenvolvimento do bebê de 11 meses
Por volta dos 11 meses, o bebê pode estar cada vez mais confortável na posição vertical.
Alguns começam a deslocar-se lateralmente apoiados nos móveis.
Também podem experimentar soltar uma das mãos, agachar para pegar objetos e voltar à posição em pé.
Essas experiências exigem:
força → equilíbrio → transferência de peso → controle de tronco → coordenação.
Cada uma delas participa da preparação para movimentos mais complexos.
Desenvolvimento do bebê de 12 meses
Aos 12 meses, o repertório motor pode ser bastante variado.
Alguns bebês já dão os primeiros passos independentes.
Outros ainda preferem deslocar-se com apoio ou utilizando diferentes formas de locomoção.
Ambas as situações precisam ser analisadas dentro do contexto do desenvolvimento daquela criança.
Um bebê que ainda não anda, mas se desloca, muda de posição, fica em pé com apoio, transfere peso e demonstra evolução é diferente de um bebê que apresenta pouca mobilidade, pouca exploração e dificuldade para realizar transições.
Por isso, a marcha não deve ser observada isoladamente.
Quando o bebê começa a andar?
Essa é provavelmente a principal pergunta dos pais nessa fase.
Mas a marcha independente não aparece de forma repentina.
Antes dela, o bebê precisa experimentar diversas habilidades:
deslocamento;
mudanças de posição;
transferência de peso;
equilíbrio;
apoio nos membros inferiores;
verticalização;
deslocamento lateral;
agachamento;
recuperação do equilíbrio.
Por isso, se um bebê de 10 ou 11 meses ainda não anda sozinho, isso, isoladamente, não significa necessariamente que exista um atraso.
Precisamos observar todo o repertório motor.
O bebê precisa ser colocado em pé para aprender a andar?
Não.
Quando o bebê é colocado em pé pelo adulto, ele pode até permanecer nessa posição, mas isso não significa que esteja aprendendo a conquistar a postura de maneira independente.
Eu prefiro oferecer oportunidades para que o bebê descubra:
como chegar em pé, como permanecer, como transferir o peso, como se deslocar e como voltar ao chão.
Essas experiências fazem parte da construção da autonomia.
O objetivo não é acelerar a aquisição da marcha, mas permitir que o bebê desenvolva as capacidades necessárias para realizar o movimento de maneira cada vez mais independente.
As transições são fundamentais
Nessa fase, uma das coisas mais importantes para observar são as transições.
Por exemplo:
sentado → ajoelhado → em pé
ou
em pé → agachamento → sentado → chão.
Essas mudanças exigem que o bebê organize diferentes partes do corpo ao mesmo tempo.
Ele precisa controlar o tronco, transferir o peso, utilizar os apoios e ajustar o equilíbrio.
Por isso, um bebê que consegue permanecer em pé, mas apresenta muita dificuldade para entrar ou sair dessa posição, merece um olhar diferente de um bebê que realiza essas transições com autonomia.
Transferência de peso e preparação para a marcha
A transferência de peso é essencial para a locomoção.
Para dar um passo, o bebê precisa transferir o peso para uma perna enquanto libera a outra.
Esse processo começa a ser experimentado muito antes dos primeiros passos.
Pode aparecer durante:
mudanças de posição;
deslocamentos no chão;
agachamentos;
apoio nos móveis;
deslocamentos laterais.
Por isso, durante uma avaliação, observo cuidadosamente como o bebê distribui o peso entre os dois lados.
Bebê de 10 a 12 meses usa mais um lado: devo me preocupar?
Nessa idade, as assimetrias podem ficar bastante evidentes.
Observe se o bebê:
sempre levanta utilizando a mesma perna;
transfere o peso predominantemente para um lado;
evita apoiar uma das pernas;
desloca-se lateralmente apenas para um lado;
utiliza um braço muito mais que o outro;
apresenta dificuldade para realizar uma transição para determinado lado.
Uma preferência ocasional pode acontecer.
Porém, quando a assimetria é persistente, é importante compreender o motivo.
Pode existir alguma limitação de mobilidade, diferença de força, tensão ou dificuldade na organização do movimento.
Como estimular o bebê de 10 a 12 meses?
Nessa fase, as melhores oportunidades continuam sendo aquelas que permitem que o bebê participe ativamente.
Você pode:
deixar o bebê brincar livremente no chão;
colocar objetos em diferentes alturas;
oferecer brinquedos que estimulem mudanças de posição;
permitir que ele alcance objetos enquanto está em pé com apoio;
colocar brinquedos um pouco para os lados para estimular transferência de peso;
oferecer móveis estáveis para apoio;
permitir que ele experimente agachar e retornar à posição em pé;
evitar conduzir todos os movimentos pelas mãos.
A ideia não é treinar a marcha de maneira repetitiva.
É criar situações em que o bebê tenha motivos para se movimentar.
O chão continua sendo importante
Mesmo quando o bebê começa a ficar em pé, o chão continua sendo fundamental.
É no chão que ele pode experimentar:
rolar;
sentar;
engatinhar;
mudar de posição;
agachar;
levantar;
cair com segurança;
voltar ao chão;
experimentar diferentes estratégias.
Essas experiências ajudam o bebê a construir um repertório motor mais amplo.
Por isso, a chegada da verticalização não significa que devemos abandonar as experiências no chão.
Quais são os sinais de alerta aos 10–12 meses?
Cada bebê apresenta um ritmo individual e a ausência de uma habilidade isolada não deve ser analisada fora do contexto.
Ainda assim, alguns sinais merecem atenção:
pouca movimentação espontânea;
pouca iniciativa para explorar;
dificuldade importante para mudar de posição;
dificuldade para sustentar o peso nas pernas;
assimetria persistente;
uso predominante de um lado;
dificuldade para realizar transições;
repertório motor muito limitado;
pouca evolução ao longo das semanas;
dependência constante do adulto para mudar de posição.
A ausência da marcha independente, sozinha, não deve ser usada como único critério para avaliar o desenvolvimento.
É necessário observar o bebê como um todo.
O que eu observo em uma avaliação de um bebê de 10 a 12 meses?
Quando acompanho um bebê nessa fase, quero entender como ele está construindo autonomia.
Observo:
postura;
simetria;
força;
mobilidade;
controle de tronco;
transferência de peso;
apoios;
transições;
agachamento;
verticalização;
deslocamento com apoio;
estratégias de equilíbrio;
formas de deslocamento;
interação com o ambiente.
Também observo como ele reage diante de um desafio.
Ele tenta?
Muda de estratégia?
Utiliza os dois lados?
Consegue recuperar o equilíbrio?
Precisa de ajuda?
Essas respostas fazem parte do meu olhar sobre o desenvolvimento.
O que pode estar dificultando a aquisição de novas habilidades?
Quando encontro uma dificuldade, não quero simplesmente ensinar o bebê a fazer determinado movimento.
Quero entender por que ele está tendo dificuldade.
Pode existir uma alteração de mobilidade, diferença de força, assimetria, tensão ou dificuldade na organização do movimento.
Também precisamos observar o ambiente e as oportunidades que essa criança tem para experimentar.
O desenvolvimento é influenciado tanto pelas características do bebê quanto pelas experiências que ele vivencia diariamente.
Como a osteopatia pediátrica pode ajudar?
A osteopatia pediátrica pode fazer parte de um acompanhamento individualizado quando existe alguma alteração musculoesquelética ou funcional que possa estar influenciando o movimento da criança.
Durante a avaliação, observo aspectos como:
alinhamento corporal;
mobilidade;
biomecânica;
força;
simetria;
qualidade dos apoios;
organização do movimento;
integridade musculoesquelética.
A partir dessa avaliação, procuro compreender se existe algum fator físico que possa estar dificultando determinada experiência motora.
Quando identifico uma dificuldade, o objetivo não é simplesmente fazer o bebê andar.
É compreender o que está limitando o movimento, trabalhar esse fator quando indicado e orientar a família sobre como oferecer oportunidades adequadas na rotina.
O acompanhamento também acontece em casa
O que acontece entre as consultas é muito importante.
A família pode receber orientações sobre:
brincadeiras;
posicionamento;
oportunidades no chão;
formas de estimular a transferência de peso;
estratégias para favorecer a simetria;
exercícios para casa;
organização e segurança do ambiente.
Dessa maneira, o acompanhamento passa a fazer parte da rotina da criança e não fica restrito ao momento da consulta.
Quando procurar uma avaliação para um bebê de 10 a 12 meses?
Uma avaliação pode ser indicada quando os pais percebem:
pouca movimentação;
pouca iniciativa para explorar;
assimetria persistente;
dificuldade para mudar de posição;
dificuldade para sustentar o peso nas pernas;
dificuldade nas transições;
uso predominante de um lado;
pouca evolução do repertório motor;
ou qualquer característica do desenvolvimento que esteja gerando preocupação.
Também não é necessário esperar o bebê começar a andar para procurar orientação.
A avaliação pode ajudar a compreender como ele está construindo o caminho até a marcha e se existe alguma dificuldade que merece atenção.
Desenvolvimento do bebê de 10 a 12 meses: o caminho até a autonomia
Dos 10 aos 12 meses, o bebê está conquistando cada vez mais independência.
Ele começa a dominar suas transições.
Explora diferentes apoios.
Conquista a posição em pé.
Experimenta transferir o peso.
Desloca-se com apoio.
E, pouco a pouco, constrói as condições necessárias para a marcha independente.
Por isso, não olhe apenas para:
“Ele já anda?”
Observe:
Ele consegue mudar de posição sozinho?
Consegue transferir o peso?
Consegue sustentar o corpo nas pernas?
Explora diferentes formas de movimento?
Usa os dois lados do corpo?
Está evoluindo?
Essas perguntas ajudam a compreender o desenvolvimento de uma forma muito mais completa.
Precisa de ajuda para entender o desenvolvimento do seu bebê?
Se você percebe alguma assimetria, dificuldade de movimento ou deseja acompanhar de perto o desenvolvimento do seu bebê, uma avaliação individualizada em osteopatia pediátrica pode ajudar a compreender como ele está se desenvolvendo e quais estratégias podem ser incorporadas à rotina da família.
Dra. Isabela Aquino — Fisioterapeuta Osteopata | Osteopatia Pediátrica e Saúde Materno-Infantil | Florianópolis – SC



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